ESSE MÉDICO COORDENAVA UMA MÁFIA DE TR4FICO DE ÓRGÃOS EM MINAS GERAIS E FOI CONDENADO POR ATESTAR FALSAMENTE A MORTE DE UM MENINO DE 10 ANOS PARA ROUBAR SEUS ÓRGÃOS

Caso Paulo Pavesi: investigação sobre suposto esquema de tráfico de órgãos marcou o país

Em 19 de abril de 2000, Paulo Veronesi Pavesi, de 10 anos, sofreu uma queda de aproximadamente dez metros no playground do prédio onde morava, em Poços de Caldas (MG). Após ser socorrido e transferido para a Santa Casa da cidade, médicos declararam sua morte encefálica poucas horas depois da internação.

O caso ganhou repercussão nacional quando o pai do menino, Paulo Airton Pavesi, passou a questionar o atendimento prestado e denunciou possíveis irregularidades. As suspeitas deram origem a uma investigação conduzida pelo Ministério Público de Minas Gerais, que ficou conhecida como o caso da suposta “máfia do tráfico de órgãos”.

Segundo a acusação do Ministério Público, o diagnóstico de morte encefálica teria sido atestado de forma irregular e a retirada dos órgãos teria ocorrido sem que os critérios legais fossem devidamente cumpridos. A investigação também apontou falhas no atendimento, incluindo demora para avaliação neurocirúrgica, internação em unidade sem estrutura adequada e procedimento realizado por profissional que, segundo a acusação, não possuía a qualificação necessária.

Quatro médicos foram denunciados por homicídio qualificado: José Luis Gomes da Silva, José Luiz Bonfitto, Marco Alexandre Pacheco da Fonseca e Álvaro Ianhez.

Em 2021, mais de 20 anos após a morte de Paulo, Marco Alexandre Pacheco da Fonseca foi absolvido pelo Tribunal do Júri. Já José Luis Gomes da Silva e José Luiz Bonfitto foram condenados. Segundo nota divulgada posteriormente pelo Ministério Público de Minas Gerais, ambos receberam penas de 28 anos de prisão, embora reportagens anteriores tenham informado uma condenação de 25 anos e 10 meses, diferença que não foi oficialmente esclarecida.

Álvaro Ianhez também foi condenado, recebendo pena de 21 anos e 8 meses de prisão por atestar falsamente a morte encefálica do menino, conforme reconhecido pela Justiça.

Mais lidas

Leia também