Esqueça a ideia de que satélites são os principais responsáveis pela sua conexão. Surpreendentemente, 99% da internet global trafega por uma vasta rede de cabos de fibra óptica que se estende por mais de 1,4 milhão de quilômetros debaixo d’água. Essa distância é tão impressionante que daria para contornar a Terra 35 vezes! Embora finos como uma mangueira de jardim, esses cabos são os verdadeiros responsáveis por enviar seu Pix, carregar seu Netflix e possibilitar aquela videochamada com sua mãe.
Mas como isso acontece? Navios especializados desenrolam e instalam esses cabos no leito oceânico, unindo continentes. Essa tecnologia é incrivelmente eficiente: uma comunicação do Brasil para os EUA, por exemplo, leva apenas 60 milissegundos. É uma solução mais veloz, econômica e confiável que as alternativas via satélite, que respondem por apenas 3% do tráfego intercontinental, enquanto os cabos submarinos são responsáveis por 97%.
No entanto, essa infraestrutura vital não está isenta de desafios. Os cabos são vulneráveis a danos, seja por âncoras de navios, terremotos submarinos ou, curiosamente, até por tubarões. Esses predadores marinhos, atraídos pelo campo eletromagnético, ocasionalmente mordem os cabos, embora hoje eles contem com proteção de aço. Quando um rompimento ocorre, as consequências são graves: regiões inteiras podem ficar sem internet, como aconteceu em 2008 no Oriente Médio e, mais recentemente, em 2022, quando Tonga ficou cinco semanas offline após um vulcão cortar seu único cabo.
Então, da próxima vez que você enviar um “bom dia” no grupo da família, lembre-se que sua mensagem provavelmente viajou por 8 mil quilômetros de oceano, a 7 quilômetros de profundidade, no escuro, antes de chegar ao destino. A nuvem não é abstrata; ela tem uma base física e, sim, ela mora com os peixes!
