Um estudo dinamarquês, o MONICA, publicado no British Medical Journal em 2009, acompanhou 2.816 indivíduos por mais de uma década e meia, chegando a uma descoberta notável. Pessoas com coxas que mediam menos de 60 centímetros apresentaram um risco significativamente maior de óbito precoce e de problemas cardiovasculares. Acima dessa medida, os benefícios para a saúde se mantinham constantes.
Mais do que uma questão de aparência, a explicação é metabólica. Os músculos da coxa são os maiores do corpo e atuam como um filtro eficiente para a glicose, absorvendo o açúcar do sangue rapidamente e diminuindo a probabilidade de desenvolver diabetes tipo 2. Além disso, a gordura subcutânea na região, diferente da abdominal, oferece uma proteção ao reter ácidos graxos livres que poderiam causar inflamações em artérias e órgãos.
Essa tendência foi corroborada por pesquisas subsequentes, como o Hoorn Study na Holanda e estudos envolvendo mais de 384 mil sul-coreanos. Coxas com pouca circunferência, especialmente em indivíduos magros, elevam o risco metabólico. Em contrapartida, coxas robustas, mesmo em pessoas com maior índice de massa corporal, proporcionam proteção. Especialistas em cardiologia indicam que a combinação ideal para a saúde é uma cintura fina com coxas firmes, o que diverge dos padrões estéticos promovidos por revistas de moda nas últimas décadas.
Historicamente, o ideal de beleza feminino com quadris e coxas volumosas prevaleceu na arte ocidental por milênios. As Vênus paleolíticas, esculpidas há mais de 25 mil anos, como a famosa Vênus de Willendorf de 1908, exibem corpos com coxas e quadris amplos. Para os caçadores-coletores da época, essa representação simbolizava abundância, fertilidade e capacidade de sobrevivência. A ciência atual, sem perceber, valida o que a intuição pré-histórica já compreendia: pernas fortes são um indicativo de um corpo resistente e duradouro. A beleza é mutável com as tendências, mas a biologia permanece inalterada há milênios.
