Um juiz da Justiça de Rondônia teve um contracheque surpreendente em novembro de 2025: R$ 1.774.187,67 líquidos, quantia que equivale a quase 97 anos de trabalho com salário mínimo vigente no país. Para quem recebe o piso nacional de cerca de R$ 1.518 por mês, esse valor é extraordinário para apenas um mês de trabalho.
O magistrado que lidera esse ranking é Danilo Augusto Kanthack Paccini, da 2ª Vara Cível da Comarca de Porto Velho. Ele encabeçou uma lista de cinco juízes de primeira instância que, juntos, somaram quase R$ 8 milhões líquidos em rendimentos no mês — todos recebendo acima de R$ 1 milhão de forma líquida. Entre eles estão Cristiano Gomes Mazzini e Wanderley José Cardoso, também com valores acima de R$ 1,7 milhão.
Segundo dados do Tribunal de Justiça de Rondônia, os pagamentos que excederam o teto constitucional do serviço público não são salariais, mas se originam de parcelas indenizatórias previstas em lei, como o chamado Benefício Especial e a Gratificação por Acúmulo de Acervo Processual, destinadas à compensação de contribuições previdenciárias feitas ao longo dos anos ou à carga extraordinária de trabalho.
Em nota, o tribunal afirmou que adota controle automático do teto constitucional e que os valores pagos estão “amparados em parcelas legalmente previstas”, ressaltando a observância dos requisitos legais e da transparência administrativa. O pagamento também foi classificado como Direitos de Exercícios Anteriores, correspondente a valores devidos de períodos anteriores.
A repercussão desses contracheques chamou atenção nacional e reacendeu debates sobre privilégios no serviço público e os mecanismos que permitem que magistrados recebam rendimentos tão acima do teto tradicionalmente aplicado ao funcionalismo.
