Sabia? Nas décadas de 1930, médicos recomendavam cigarros como se fossem saudáveis

Houve um tempo em que o cigarro era visto de forma totalmente diferente do que conhecemos hoje. Nas décadas de 1930, 40 e 50, a publicidade glamorizava o tabaco, apresentando médicos de jaleco que endossavam certas marcas como suaves para a garganta. O cigarro era até divulgado como algo que acalmava e auxiliava na digestão, sendo um símbolo de sofisticação, modernidade e bem-estar. Tanto o público quanto a maioria dos profissionais de saúde da época não percebiam os riscos associados. Estrelas de cinema exibiam o hábito nas telas, e a moda era que mulheres o associassem à liberdade. Anúncios dominavam revistas, rádios e outdoors globalmente, consolidando a indústria do tabaco como uma das mais poderosas.

A reviravolta começou com a entrada da ciência. Em 1953, os pesquisadores Ernest Wynder e Evarts Graham, em Saint Louis, EUA, desenvolveram um experimento revelador. Eles utilizaram uma máquina para ‘fumar’ vários cigarros simultaneamente, coletando o alcatrão – aquela substância escura e pegajosa da fumaça. Este alcatrão foi aplicado na pele de 81 camundongos, resultando no desenvolvimento de câncer de pele em 44% deles.

Com essa evidência, Graham anunciou que não havia mais dúvidas: a fumaça do cigarro continha elementos capazes de provocar câncer. Apesar dessa descoberta crucial em 1953, a publicidade que promovia cigarros como elegantes e inofensivos persistiu por mais de uma década. Milhões de pessoas continuaram fumando, desconhecendo a verdade que já havia sido comprovada. A informação estava disponível, mas a divulgação foi atrasada. No Brasil, a proibição da propaganda de cigarros só ocorreu no ano 2000, quase 50 anos após a comprovação científica dos seus perigos.

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